Junho de 2007
sábado, 30 de junho de 2007
Este
espaço ainda não tem o formato pretendido inicialmente. Mas a idéia de
fazer o ALMANAQUE destacado do Blog permanece. Fiz novos contatos e a
discussão de preço, formatação, diagramação, periodicidade, sessões e
outras questões necessárias continua.
Eduardo Lucena inaugura hoje, sua primeira apresentação. A sessão
Poesia e Literatura é dele, embora divida comigo algumas
responsabilidades
Meus amigos, a partir de hoje divulgaremos a narrativa Domenico, um Realista, de Éric Carrazoni.
Trata-se de uma história que se desenrola numa cidade do nordeste
brasileliro, mas, em seu contexto, revela-se universal e cosmopolita,
com todos os contrastes "indianos" de nossa realidade regional.
A cidade é o Recife: contamos com vislumbres da Av. Conde da Boa
Vista, da rua do Hospício e daquele beco ("da fome?") entre a Hospício
e a rua 7 de setembro; a festa da história se realiza em um casarão de
Apipucos e o entrecho é bem urdido e emocionante. De modo que é o
Recife, mundial, em forma de folhetim. Espero que vocês gostem.
Eduardo Lucena
Capítulo 1
Um homem só.
Não haveria imagens nem frases feitas nem auto-ajuda. Nenhuma
adaptação posterior para o cinema seria possível. Seria mesmo a
essência da literatura. O livro que ele iria escrever para levar as
pessoas a pensar e parar de usar a leitura com a mesma finalidade de
alguém que come um sanduíche para matar a fome era também sua salvação.
A idéia, que por alguns instantes lhe deu ânimo, rapidamente se
afigurou ridícula: "Não posso competir com os autores de best-sellers,
mas também não tenho talento para escrever nada menos superficial",
divagava Domenico da Silva, com o olhar fixado no vidro de veneno cujo
conteúdo tencionava ingerir.
Sofregamente, continuava pensando em um jeito de ganhar muito
dinheiro. Estava cansado de ser um vendedor e batalhar mês após mês
pelo básico: "Um assalto... Mas o risco deve ser mínimo. Eu posso
atacar uma mulher e depois...". E depois descobria que não havia saída.
Continuar vivendo, sair do desemprego, arrumar um trabalho razoável,
casar-se, reproduzir na vã ilusão de que seu filho será sua
continuação. E sempre correndo o risco de morrer a qualquer instante.
Quando pensou na morte, estremeceu. Morrer, não sentir, não ser. E
sentiu-se ainda mais patético por estar fingindo perante si mesmo que
iria suicidar-se; agia como alguém fazendo charme para si próprio.
De repente, olhou pela janela do seu apartamento e pensou como
todas aquelas pessoas podem andar tão tranqüilas pelas ruas sabendo que
um dia vão morrer. "Com muito pouco o corpo humano sucumbe. Que grande
pilhéria esse tal de Deus faz conosco, dota-nos de inteligência
complexa e depois nos faz entender que somos tão importantes para o
mundo como formigas". Nesse instante, imaginou um estádio de futebol
lotado. Nunca havia reparado que cada uma daquelas cabecinhas era uma
pessoa tão importante, teoricamente, quanto ele: "Será que realmente
alguém consegue enxergar-se tão ínfimo?", inquiria-se, com o mesmo
olhar fixo, agora direcionado para o teto do seu quarto. "Não, todos
mentem até para si próprios, se vêem melhores; mas até alguém como eu
sabe que os atos de boa vontade e todos esses argumentos sólidos para
quem ainda acredita na raça humana são, na verdade, exceções que
confirmam a regra. Toda pessoa é, acima de tudo, egoísta", sentenciou.
Estava cansado, precisava dormir. Era mesmo melhor pensar que Deus
não prestava do que acreditar que ele nem nada existem. O dia seguinte
era dia de ir à luta, em busca de um trabalho decente. Muito embora
tentasse convencer-se de que era isso que faria, estava submerso num
mar de pensamentos que irrompiam com a força das verdades absolutas. A
idéia da morte nunca fora tão perturbadora. Apesar de questionar-se se
era justo continuar a viver sentindo-se tão culpado, simplesmente não
conseguia entender como uma pessoa pode lidar naturalmente com o fato
de que vai deixar de existir. E mesmo assim preocupar-se com todo tipo
de frivolidade. "Mas então é isso...", iluminou-se, "... para que
alguém vai se preocupar com coisas tão profundas se vai mesmo se
acabar? Já que não tem jeito, os homens vivem cada pequena
insignificância como se fosse algo muito importante. Essa é a grande
estratégia para não pensar na morte". Pronto, havia matado a charada.
Agora, mais tranqüilo, todo seu corpo se afinava com sua mente na
ingrata e necessária tarefa de adormecer. Amanhã, afinal, seria um dia
novo que, com certeza, traria algum alento. Não iria buscar trabalho.
Nem sempre Domenico foi tão confuso como agora, aos 41 anos. Na sua
infância, desfrutou de momentos de magia e certezas. Enquanto Rosalina,
empregada da família há mais de trinta anos, servia aquele almoço com
gosto de passado, cenas inteiras lhe viam à mente. Seu pai brigando com
sua mãe, o cheiro de terra molhada, os mariscos que retirava cavando de
dentro do mar da praia do Janga, as revistas de nu feminino, o chuveiro
do banheiro aberto durante horas enquanto treinava solitariamente para
tornar-se um homem. Cenas como essas lhe vinham involuntariamente e
cada vez mais à sua revelia.
A voz da sua mãe soou como um estalo, fazendo-o voltar à mesa.
- Dominho, meu filho, o ravióli está do jeito que você gosta.
Naquele momento, sentia uma espécie de alegria angustiada de estar
ali. No apartamento de sua mãe, no centro do Recife, morava ainda, além
de Rosalina, sua irmã Dionísia. O nome dela era uma homenagem do pai
deles, um imigrante italiano já falecido, ao Deus do vinho e da
tertúlia. A imagem de Dionísia naquele sofá puído não parecia nada
esfuziante. A preguiça, que na infância lhe conferia uma certa
ingenuidade graciosa, muito comum nas crianças obesas, agora lhe
parecia inadmissível.
Olhava para aquele cenário e mais uma vez seu pensamento partia
livre, como um balão de São João solto pelos ares. Dionísia no sofá.
Dona Salete, sua mãe, com seu vestidinho quadriculado. As duas falando
sobre o esperado episódio de hoje da novela "Amores Modernos", no qual
finalmente o personagem principal iria descobrir o quão traído era. E
sua mãe ali, sem nunca sentir calor. Numa cidade miseravelmente quente
como o Recife, ela estava sempre com seus vestidos de cores escuras fechados até o pescoço.
Sua mente se desprendia. Sua mãe, sua irmã, Rosalina, todos naquele
apartamento minúsculo, aquele apartamento visto de cima, de muito alto,
apenas uma pecinha no enorme quebra-cabeça da cidade. Anos mais tarde,
o apartamento viraria uma invasão ou seria finalmente implodido. Todos
estariam mortos. O apartamento no meio da cidade, a cabecinha de
Domenico no estádio de futebol, as formigas subindo e descendo do topo
do formigueiro, tudo isso numa veloz sucessão de imagens digna dos mais
psicodélicos clips de música, e booom! Domenico regressava à realidade.
De uns tempos para cá era assim. Começara a sentir-se sensível e
mergulhado em reflexões que surgiam espontaneamente, como se tivessem
vontade própria. Havia algo que evitava incessantemente em seus
pensamentos; tema que lhe era tão doloroso como o corte de uma lâmina
enferrujada na carne. Se ainda conseguia, a duras penas, represar a
violência de tão grande tormento, por outro lado lhe transbordavam
lembranças, sensações de cheiros, gostos, medos e prazeres de forma
aparentemente desconexa.
Definitivamente não era mais aquele jovem de caráter prático e
decidido que galgou posições importantes na área de vendas, chefiando
departamentos regionais e chegando mesmo a trabalhar nas principais
praças do País. Sentia-se absolutamente exaurido. Olhando pela janela
do apartamento de sua mãe, no quinto andar, via as pessoas transitarem
no centro do Recife. Nunca aquele cenário lhe pareceu tão grotesco.
Capítulo 2.
O Recife - sol e subdesenvolvimento.
O Recife tem, indubitavelmente, seus encantos. Cidade orgulhosa -
desde os tempos de luta contra os holandeses e a vizinha Olinda -, era
observada por Domenico naquele momento como uma visão do inferno. "Mas
quanta gente feia", pensava, disperso, ao esperar sua mãe trazer a
sobremesa. Nas ruas do centro, que na década de 70 eram a passarela do
comércio, antes da chegada dos shoppings aos bairros residenciais, ele
via um espetáculo bizarro. Tipos que seriam estranhos aos africanos e
tampouco se assemelhavam a amarelos ou indianos, caminhavam
desordenadamente. Desdentados, aleijados especializados em serem
aleijados e trombadinhas prontos para dar o bote no primeiro incauto
compunham aquela fauna. Eram a grande expressão desse Brasil sem rosto.
A própria face da enorme parcela de povo cuja genética busca
desesperadamente uma definição. Domenico observava claramente como era
tão rigorosa a relação entre feiúra e pobreza na sua terra.
O calor de morte deixava os transeuntes ainda mais agitados. Os
paredões de concreto, uma afronta ao bem-estar das pessoas, expunham a
combinação infeliz de pedra e sol. "Como alguém pode andar com
elegância por essas ruas debaixo de um sol desse?", perguntava-se
Domenico. Ele mesmo se respondia, desfrutando com esse exercício de um
prazer obscuro. Distraía-se de verdade observando pessoas se esvaindo
em suor e mesmo assim usando grossas calças jeans, incoerência que, no
seu entender, era a prova inconteste de um comportamento colonizado e
irracional. "Há lugares que não foram feitos para serem civilizados. O
homem está sempre tentando mudar essa realidade e até consegue ser
bem-sucedido aqui e ali." Comprazia-se nesse pensar. Aí então evocava
Israel ou Sidney ou mesmo os antigos impérios do Oriente Médio e Egito,
mas logo voltava as atenções à sua cidade. O conjunto de árvores,
algumas centenárias de copas respeitáveis, mostrava-se completamente
insuficiente para cumprir uma de suas principais utilidades: aliviar
com sua sombra a vida dos passantes. Os privilegiados que podiam
resguardar-se do impiedoso astro solar se entrincheiram no ar
condicionado dos carros, casas, lojas, escritórios, conseguindo com tal
artifício reproduzir situações menos aflitivas do que aquelas que a
grande massa é obrigada a protagonizar - no Recife, os espaços
refrigerados são uma espécie de núcleos de resistência, essenciais ao
funcionamento da cidade. Para Domenico, tudo na cidade acontecia de
forma fragmentada. Ele achava que lá também havia lugar para gente
bonita, projetos acadêmicos, arte, lazer, moda. Mas só em grupos e
locais muito particulares. Ou então à noite, em alguns recônditos
bastante específicos. Durante o dia, a paisagem predominante não
permitia maiores alternativas. Apenas sol, comércio, ônibus, kombis,
suor. "Que forma tão pouco glamourosa de viver, em que lugar eu vim
nascer?", lamentava-se e, simultaneamente, já achava engraçado o fato
de muitos dos três milhões de moradores da área metropolitana da cidade
jactarem-se em viver em um dos locais mais importantes do Nordeste. Até
se esqueciam, pasmava, de considerar ser esta uma das regiões mais
pobres do Brasil, um país do Terceiro Mundo.
A falta de um elemento verdadeiramente característico observada na
composição física do seu povo (para ele, a mão de tinta negra dera a
maior pincelada, mas parece não ter tido força para terminar o serviço)
era recorrente na formação do espaço físico da cidade. A convivência de
algumas construções modernas com outras improvisadas pela miséria
representava muito mais a procura por uma forma do que uma
peculiaridade espacial em si. Em alguns pontos, é verdade, havia o
mínimo de identidade visual, e estes sítios logo eram, com exceção das
favelas, reconhecidos e adotados como cartões postais da cidade. A
praia de Boa Viagem, com suas fileiras de edifícios voltados para o
mar, o centro antigo com alguns casarões revitalizados, bares e
restaurantes à espera de visitantes locais e forasteiros. O Rio
Capibaribe, firme na sua poluição ao longo das últimas décadas, desde
as pontes do Recife Velho até as margens do colonial bairro de Casa
Forte. Domenico concluíra há pouco tempo que nada disso traduzia a
verdadeira face do Recife. Ou melhor, para ele, o Recife não tinha
face. Era uma outra teoria sua: "A nossa miséria sequer consegue ser
pitoresca, não tem aqueles carrinhos engraçados misturados ao trânsito
como no Vietnã ou aquele monte de bicicletas na China; é apenas uma
conseqüência de uma imitação pífia dos Estados Unidos". Pensamentos
como esse já estavam se multiplicando como uma célula cancerosa até
Domenico ser interrompido por sua irmã, que estava saindo para exercer
sua função como secretária em um banco estatal. Ele não respondeu ao
aceno, apenas a olhava e imaginava qual o futuro que teria. Segundo
dona Salete, sua filha, que sempre mostrara vocação para a retidão,
estava agora saindo com um sujeitinho de baixa renda, divorciado e pai
de três filhos. Mal ela bateu a porta, a matrona começou a pensar alto:
- Diz que a ex-mulher dele é uma barraqueira de última, que até
escândalo no meio da rua é acostumada a fazer. Ainda por cima é
escurinho o desgraçado. Se chegar aqui agora você pensa que é o
motorista do banco. - E seguia falando propositalmente:
- Uma moça tão decente agarrada com um tipo tão desprezível. Ainda
bem que seu pai não está aqui para ter esse desgosto. É como diz a
vizinha, a gente se mata para fazer com que os filhos virem gente e
depois temos que assistir a tudo isso...
Antes que sua mãe se aprofundasse no tema para depois mudar
radicalmente de assunto e começasse a discorrer sobre a festa da
Terceira Idade ou os achaques de Rosalina, Domenico levantou-se,
beijou-a, alegou que precisava fazer contatos relativos a algum
possível trabalho e partiu.
· Zezo · 15:39 ·
sábado, 30 de junho de 2007

Se têm coragem vamos usá-la
É injusto manter encarcerados os rapazes que espancaram diversas
pessoas na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Suas energias deveriam
ser canalizadas para o benefício da sociedade. Fortões (malhados??),
agressivos e corajosos como parecem se julgar poderiam ser escalados
para subir o Morro do Alemão à frente da Força Nacional de Segurança
Pública para dar porrada nos traficantes. Basta dizer a eles que os
traficantes são F.d.P.
· Zezo · 9:57 ·
sábado, 30 de junho de 2007
Falando em transparência editorial
A mídia pode se dar ao luxo de escolher os temas que deseja abordar
e de que maneira pretende fazê-lo. O administrador público não pode
agir da mesma forma. Não pode escolher a parcela da população que deve
ser atendida e a que deve ser esquecida como se fosse assunto
irrelevante que não vende jornal. Mas é revoltante ver o tratamento
privilegiado que é dado pela mídia e pelas autoridades aos passageiros
de linhas aéreas desprezando o usuário dos serviços públicos de saúde.
Não há "caos hospitalar". Bom de notícia é o "Cáos Aéreo".
· Zezo · 9:41 ·
sábado, 30 de junho de 2007
Navalha na Carne
(Do Blog do Noblat)
Transparência editorial
"O informe final da pesquisa afirma que os jornalistas dos mais
importantes órgãos da imprensa mundial "não apenas se mostram
relutantes em explicar o que investigam e como investigam, mas também
seus empregadores se mostram pouco dispostos a admitir erros bem como
assumir publicamente suas políticas editoriais e seus padrões éticos".
O repórter Sydney Schanberg, ganhador do premio Pulitzer de 1976,
quando era correspondente do The NewYork Times no sudeste asiático,
afirma no relatório final do estudo que : "A imprensa cobra
transparência dos governos, empresas e organizações sociais. Mas os
repórteres rejeitam a transparência em suas atividades, justificando
que estão fazendo um bom jornalismo. Mas o público necessita uma ampla
explicação e só quem pode dá-la, são os próprios jornalistas".
O trecho acima faz parte de artigo transcrito do blog de Carlos Castilho no site Observatório da Imprensa.
· Zezo · 1:37 ·
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Atenção Passageiros
Embora o cheque do dono da GOL seja descontado em qualquer banco
(..quem não queria ter Neném Constantino como cliente...) o bilhete de
passagem da GOL não vale para outras companhias aéreas. Nem na VARIG
que é do mesmo dono. Eu tentei.
Ninguém aceita cliente de Neném Constantino. Só o cheque.
· Zezo · 21:09 ·
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Recado
Gabeira, por favor, vai até alí, ao Senado, dá um um pulinho lá no
plenário, aponta o dedo para a mesa e vê se dá um jeito naquilo.
· Zezo · 22:16 ·
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Quem não é?
O (ainda) Senador Joaquim Roriz perguntou, hoje, da tribuna do
Senado, em seu depoimento espotâneo, qual banco não gostaria de ter uma
conta de Neném Constantino (o dono da GOL). Só faltou perguntar qual
das mulheres presentes não gostaria de ter um filho com Renan Calheiros.
· Zezo · 21:54 ·
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Cai a cotação das Cotas
O leitor Jambão ( e meu amigo ) quer falar. E tem o que falar:
Enviado por: Jambão ( ) Weblog: http:// Comentário: O Supremo lá dos
EUA acaba de declarar que as ações afirmativas (tipo cotas para negros)
devem ser suprimidas pois servem para alimentar o racismo. Eu cansei de
defender essa tese na minha escolinha de história e quase fui linchado.
O que seus leitores têm adizer? Beijos em todos. PS: desculpe não ter
nada a ver com os bem nascidos de Brasília... Copyright 2001-2005 LWS -
Todos os direitos reservados
· Zezo · 21:39 ·
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Roriz
Roriz acaba de afirmar em pronunciamento no Senado que nasceu em
berço de ouro. Em sua peroração afirmou que aumentou o patrimônio
deixado pelo seu pai exercendo atividades empresariais. Logo depois
informou que tem 40 anos de vida pública e jamais pode cuidar de suas
empresas. Afinal, qual dessas afirmações é a que vale?
· Zezo · 16:49 ·
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Cliente desde março 06
No cheque que pagou a propina do Ex-Governador Joaquim Roriz,
exibido no Jornal Nacional, da Rede Globo, de hoje, aparecia o mês de
março como o de início daquela conta-corrente. Terá sido aberta sòmente
para aquele fim?
· Zezo · 22:31 ·
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Trabalhe e estude
E depois pratique um crime.
Segundo o pai do estudante mais violento dentre os que foram presos
no Rio de Janeiro por terem espancado uma senhora num ponto de ônibus é
injustificável uma pessoa que trabalha e estuda ser presa só porque
praticou um crime...
· Zezo · 21:55 ·
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Essa é Boa
Depois de fugirem da responsabilidade (que têm) pela morte dos 160
passageiros do avião da GOL em setembro do ano passado e depois de
fazerem o que fizeram com os passageiros nos aeroportos do Brasil, os
controladores amotinados,da Aeronáutica, fazem circular na internet um
manifesto da categoria em que pedem apoio à população. Àquela mesma
população cuja vida tumultuaram para esconder suas responsabilidades.
Onde estão aquelas cenas de expulsão com desonra, em que um oficial vai
arrancando as insignias dessa gente, uma a uma?
Não consigo aceitar a falta de condições de trabalho para
justificar 160 mortes. Isso é assassinato, pois, segundo os próprios
controladores essa falta de condições de trabalho era anterior ao
acidente. Se já existiam essas sub-condições por que não interromperam,
então, antes de matar aquelas pessoas? Acharam que 160 mortes seria uma
boa razão para pedir aumento de salário? Deus me livre se os motoristas
de ônibus começarem a pensar como esses descontroladores de vôo!
· Zezo · 21:46 ·
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Correção
Queria fazer uma correção nessa "Nota" anterior (Afiando as Unhas).
É que não existe suplente de Senador. O que existe é o Senador
Suplente. Quando o Senador toma posse seu suplente também assume, com
direito a Passaporte Diplomático e outras tantas mumunhas. Inclusive ao
tratamento de Excelência.
· Zezo · 19:37 ·
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Afiando as Unhas
Alguém sabe quem são os suplentes de Renan Calheiros e de Joaquim Roriz?
· Zezo · 13:54 ·
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Operação Silêncio
Silêncio também na mídia. Os Jornais do Distrito Federal reduziram
a zero o espaço dado ao novo escândalo de um banco oficial que paga
cheque de outros bancos e só comunica o fato ao Banco Central
"oportunamente".
Temos certeza que o Senado Federal, que já tentou legislar para
outro país, em defesa da liberdade de informação, irá protestar contra
qualquer forma de censura em nosso território.
· Zezo · 8:37 ·
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Obsequioso?
É muito constrangedor o silêncio do Governador do Distrito Federal
a respeito dos escândalos apurados no Banco Regional de Brasília.
Afinal, o Governo Distrital é o dono do Banco. Um diretor foi preso na
operação Aquarela da Polícia Federal e um cheque de outro banco foi
descontado na "boca do caixa" do BRB. Quanto ao preso, que já era
diretor do Banco desde o governo Roriz (ops! desde o governo anterior),
o Governador deveria, no mínimo, informar à população e aos
correntistas de quem se trata e porque responsabilizou-se por mantê-lo
no cargo. Quanto ao cheque de outro banco, o fato demonstra que o novo
governo deixou de fazer auditoria ao assumir, nem teve curiosidade pelo
que se passou na gestão anterior, endossando, portanto, os atos
praticados.
· Zezo · 8:26 ·
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Novilha Voadora
Romeu Tuma não se emenda. Depois de tentar caçar bois, voando num
helicóptero, durante o Plano Cruzado, promete caçar os bois voadores do
Senador Renan Calheiros e a novilha do cheque voador do Senador Joaquim
Roriz. Está visto que ele não tem jeito para a coisa.
· Zezo · 7:59 ·
sábado, 23 de junho de 2007
Ministério do Futuro
Para atingir objetivo a longa distância é preciso usar arma de
longo alcance. O novo ministério assumido pelo professor Mangabeira
Unger tem essa finalidade.
Mangabeira definiu o horizonte para onde está apontando as baterias,
antes mesmo de sua posse. Além de simbólico foi bastante indicativo o
gesto do Coronel Oswaldo Oliva Neto, irmão do voluntarioso Senador
Aloísio Mercadante, ao demitir-se do Núcleo de Assuntos Estratégicos -
NAE alegando incompatibilidade de pensamento. O Coronel sempre assentou
a visão estratégica em um modelo europeu de ver o mundo e de projetar
ações. Mangabeira, ao contrário (vejam bem, eu não usei a expressão
"diferentemente". Eu disse, ao contrário) adota uma linha de pensamento
estratégico fundada na doutrina americana, a da hegemonia
anglo-saxônica. Mangabeira vem de Berkeley.
Resta saber como responderão às suas premissas, ou ao seu futuro
projetado, outros ministérios em suas ações estratégicas e de longo
prazo. O Ministério da Defesa, por exemplo, como fica? Deveremos
invadir a Venezuela, Cuba, integrar a coalizão "do bem" para invadir a
Coréia do Norte, o Irão, Iraque, ceder a base de Alcântara? E nossas
relações exteriores? Vamos reabilitar Juracy Magalhães? Estará o
Chanceler Celso Amorim disposto a revisar seus projetos de integração
por um de entregação? Nossas opções na área de ciência e tecnologia,
como ficarão? Tudo isso sem falar das projeções econômicas, do
planejamento de curto prazo, a cargo do Ministério do Planejamento, nem
das definições na área de saúde e educação.
Ou será que esse tão novo Ministério não tem futuro?
· Zezo · 15:13 ·
terça-feira, 19 de junho de 2007
Blog
Reforma Política - IV
Numa Federação cada Estado é um distrito eleitoral. É com base
nessa constatação que o ex Ministro da Justiça, Fernando Lyra defende
sua proposta de tornar majoritária a eleição para a Câmara dos
Deputados.
A proposta tem muitos pontos positivos e corrige as principais
falhas do atual sistema eleitoral. E, diferentemente do que pensa o
próprio autor, ela poderá vir a fortalecer os partidos, se aprovada com
a fidelidade partidária.
Na íntegra a entrevista de Fernando Lyra ao JORNAL DO COMÉRCIO de Recife.
ENTREVISTA » FERNANDO LYRA
"O Brasil nunca terá partidos dignos"
Publicado em 16.06.2007
Inaldo Sampaio [EMAIL]inaldo@jc.com.br [/EMAIL]O Brasil nunca teve,
não tem e jamais terá partido político digno deste nome. A afirmação é
do ex-deputado e ex-ministro da Justiça Fernando Lyra. Embora sem
mandato desde 1999, ele nunca deixou de participar do processo político
em Pernambuco nem de dar opiniões sobre a conjuntura nacional. Lyra,
"exilado" na presidência da Fundação Joaquim Nabuco desde 2003, agitou
os meios políticos de Brasília ao defender, no jornal O Globo da
quarta-feira passada, a implantação do voto majoritário para deputado e
vereador, a coincidência das eleições com mandato de cinco anos para
todos e a extinção do vice e do suplente de senador. Em vez do voto
distrital e das listas fechadas, ele sugere que se implante o que
denomina de "distritão": cada Estado se transformaria num distrito e os
mais votados seriam eleitos.
JORNAL DO COMMERCIO - Por que o senhor considera importante a implantação do "distritão" em vez do voto distrital?
FERNANDO LYRA - Desde que eu estava no Congresso já me preocupava
com a reforma eleitoral, buscando um "modelo brasileiro" mais adequado
para as eleições. Todas as legislações do mundo são adaptadas à
realidade de cada país, ou então impostas por outros povos.
Recentemente eu li um estudo do advogado Marcelo Cerqueira, que
trabalhou comigo no Ministério da Justiça, dizendo que o voto distrital
nos Estados Unidos foi imposto pela Inglaterra, após a independência,
para que não houvesse renovação na Câmara dos Deputados nem no Senado.
Lá o mandato de deputado é de dois anos e a renovação não chega a 10%.
JC - Como funcionaria o "distritão"?
LYRA - Em vez do voto distrital, que não tem nada a ver com a nossa
realidade, nossas tradições políticas, se dividiria o País em 27
distritos. Cada partido lançaria os seus candidatos e os mais votados
seriam os eleitos. Em Pernambuco, por exemplo, que tem 25 cadeiras na
Câmara Federal, seriam eleitos os 25 mais votados, independente de
partido, sobras eleitorais ou coisas do gênero. Somente por esse
caminho chegaremos àquilo que eu chamo de verdade eleitoral.
JC - O senhor concorda com a afirmação do presidente FHC de que só o voto distrital aproxima o eleitor dos seus representantes?
LYRA - Não. O que aproxima o deputado dos seus representados é a
sua preocupação com os problemas do povo, a sua forma de agir e de
trabalhar.
JC - Quer dizer que o modelo é inadequado para o Brasil?
LYRA - Sim, porque aqui se faz partido a toque de caixa e troca-se
de legenda como se troca de camisa. Agora mesmo o PL se juntou com o
Prona e formou o PR (Partido Republicano), mas o que é o PR? O PR
defende o quê, é a favor de quê? A Frente Liberal que dissentiu do PDS
para apoiar Tancredo (Neves) e depois se transformou em Partido da
Frente Liberal, se transformou em DEM (Democratas). Mas esse DEM
defende o quê? Vi nos jornais que eles são a favor do voto em lista,
mas para manter intactas as oligarquias que controlam o partido desde
que se chamava Arena. O PT também é a favor do voto em lista para que a
tendência majoritária não seja atropelada pelas menores. Isso é um
casuísmo tão vergonhoso quanto o que ocorreu na Europa após a segunda
guerra mundial. Com o fim da guerra, o governo norte-americano preparou
duas Constituições. Uma para o Japão, massacrado com a bomba atômica, e
outra para a Alemanha. A Constituição imposta ao Japão deixou o sistema
imperial porque o imperador não foi contra os Estados Unidos, e
implantou o voto distrital. Foram depois à Alemanha com a mesma
proposta, mas os alemães não aceitaram. Não aceitaram para preservar a
liderança de Adenauer, já que Churchill havia perdido a eleição na
Inglaterra pelo voto distrital. Então eles criaram o voto distrital com
o sistema de lista, mas para preservar quem? Os homens do DEM de lá,
que são os mesmos daqui.
JC - Então o sistema da lista fechada também não serve para o Brasil?
LYRA - De jeito nenhum. Porque não existe partido no Brasil. O povo
brasileiro nunca votou em partido político, mas nas lideranças. Qual
era o partido de Collor quando se elegeu presidente em 1989? Por qual
partido Arraes se elegeu prefeito do Recife em 59 e governador em 62?
Qual era o partido de FHC em 1994 quando ele se elegeu presidente a
primeira vez? Era o PMDB disfarçado de PSDB. O povo votou no partido
dele ou no Plano Real? Claro que foi no Real. FHC tinha sido ministro
da Fazenda e foi o grande beneficiário daquele plano que debelou a
inflação e estabilizou a economia. Isso se deu também em 2002 quando o
presidente Lula foi eleito a primeira vez. O PT, que só teve 18% dos
votos proporcionais. Então não foi o PT que o elegeu e sim as oposições
unidas. Quem elegeu Eduardo Campos governador? Foi o PSB? Não, foi a
oposição. Veja o meu caso: fui do MDB, PMDB, PDT, PSB, PPS e voltei
para o PSB. Significa que eu nunca tive partido, mas sempre tive lado.
O que tem que se fazer é que o eleitor vote no candidato, livremente, e
não numa lista que ele não conhece, e que os eleitos sejam os mais
votados.
JC - Mas isso também não é uma maneira de enfraquecer os partidos?
LYRA - O Brasil nunca teve, não tem e jamais terá partido político
digno deste nome. Veja o caso do deputado Enéas (recentemente falecido)
eleito por São Paulo. Teve um milhão e meio de votos, arrastando mais
cinco ou seis. O último eleito pela legenda (Prona) teve 400 votos.
Esse cidadão tem compromisso com quê? Com nada.
JC - O senhor propõe também extinguir a reeleição. Por que?
LYRA - Porque não é da nossa tradição política e o nosso
presidencialismo é muito forte, imperial. Eu não acho justo o sujeito
ser candidato à reeleição na cadeira de governante. Isso vale também
para governador e prefeito. Digo isso com muita tranqüilidade porque
votei a favor da reeleição. Achava que seria uma coisa boa mas hoje sou
totalmente contra.
JC - O seu modelo de reforma política passa também pelo
mandato de cinco anos, de vereador a presidente da República, pela
extinção da figura do vice e do suplente de senador. Não é uma proposta
muito radical?
LYRA - O mandato de quatro anos é muito curto nesse sistema
eleitoral do Brasil e o de oito é longo demais. A solução intermediária
é a coincidência de eleições para que o Brasil possa ter tempo de
discutir os grandes problemas. Veja o caso do governador Eduardo
Campos. Ele foi eleito em 2006 e tomou posse em 2007. Só está no cargo
há pouco mais de cinco meses, mas a classe política não fala em outra
coisa a não ser em eleição municipal, que só vai ocorrer no próximo
ano. Isso tem que acabar. É eleição por cima de eleição e os problemas
do povo não são resolvidos. Cinco anos é um tamanho ideal, com eleições
coincidentes.
JC - Como se daria a coincidência?
LYRA - As eleições para todos os cargos seriam realizadas num ano
só. No primeiro semestre para vereador e prefeito, no meio do ano para
governador e deputado estadual e no final do ano para presidente,
senador e deputado federal. Isso baratearia os custos de campanha e
daria uma margem de tempo razoável ao governante para cuidar dos
problemas administrativos. O que não podemos e nem devemos é voltar
àquele sistema de 82 quando votamos no mesmo dia para vereador,
prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e governador.
Essa fórmula também não serve ao País. Pela nossa proposta, que já tem
muitos adeptos no Congresso, todo mundo teria um mandato de cinco anos,
sem direito à reeleição.
JC - Por que o senhor defende a extinção do vice e também do suplente de senador?
LYRA - Creio que o substituto do presidente da República poderia
ser o presidente da Câmara, o do governador o presidente da Assembléia,
e o do prefeito o presidente da Câmara Municipal. Com relação ao
suplente de senador, é uma anomalia. São pessoas que ninguém conhece e
que muitas vezes entram na chapa para bancar os custos das campanhas.
Não receberam um voto e vão para o Senado como representantes dos
Estados.
JC - No caso do falecimento de um senador, como seria a substituição?
LYRA - Se convocaria de imediato o segundo mais votado. Isso é
lógico e racional. Isso se aplicaria também aos Estados e municípios.
Se o governador ou o prefeito viesse a falecer antes de cumprir dois
anos e meio de mandato, se convocaria uma nova eleição.
JC - Para haver coincidência de eleição teria que haver um
mandato tampão (2008 a 2010) ou eleição para um mandato de seis anos.
Qual dessas fórmulas o senhor prefere?
LYRA - Tanto faz. Ou elegeríamos um prefeito em 2008 para dois
anos, para haver coincidência em 2010, ou então para um mandato de seis
anos para haver coincidência em 2014.
JC - Qual a sua opinião sobre o financiamento público de campanha e o fim das coligações proporcionais?
LYRA - O fim das coligações proporcionais é uma coisa lógica,
racional. Não tem sentido a sua existência numa democracia como a
nossa. Com relação ao financiamento público de campanha, eu confesso
que não tenho opinião firmada. É preciso analisar esse problema com
muito cuidado para que esses recursos sejam aplicados com transparência
para inibir o abuso do poder econômico.
JC - E a fidelidade partidária?
LYRA - Para não dizerem que estou contra tudo e contra todos,
aceito a tese do Ronaldo Caiado: se o sujeito for eleito por um
partido, tem que ficar nele por pelo menos três anos.
JC - Por que o senhor diz que o Brasil jamais terá partido político digno deste nome?
LYRA - Eu conheci Felix Gonzalez no exílio como secretário-geral do
PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), que é um partido
centenário. Conheci também Mário Soares como secretário-geral do
Partido Socialista Português e Álvaro Cunhal como presidente do Partido
Comunista Português. No Brasil não ocorreu isso. Estavam exilados
Brizola, Arraes, Jango, Juscelino, que não eram representantes de
nenhum partido, embora fossem filiados aos partidos da época. O único
que representava partido era Luiz Carlos Prestes (PCB), que depois
virou PPS. Como é que no Brasil existe partido se o DEM e o PT têm
praticamente as mesmas opiniões sobre a reforma política que está em
discussão? Num quadro partidário sério o PT jamais poderia estar
votando exatamente como vota o DEM.
· Zezo · 10:36 ·
terça-feira, 19 de junho de 2007
Reforma Política - III
Ao contrário do que se costuma repetir, nosso sistema eleitoral não
é ruim. Existem problemas a serem corrigidos mas que não interessam aos
políticos que estão no exercício de seus mandatos parlamentares. Um
simples artigo de lei proibindo ou disciplinando a fidelidade
partidária já seria suficiente para uma revolução.
· Zezo · 5:33 ·
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Aviso aos Navegantes
Paula é aquela que "habita" uma plataforma de petróleo na Bacia de
Campos. É de lá que nos envia suas chrônicas. Desta vez ela fala de
sexo, petróleo e de muito barulho noturno. É quente!
Telefonar da sonda às vezes é um processo coletivo: cabines
privadas para diálogos íntimos são raras e sempre tem alguém na sala
pra ouvir a conversa alheia, por mais banal que possa ser. No primeiro
dia a bordo ligo pra minha mãe, dou o telefone da sonda, para
emergências, e o papo segue quase monossilábico. Forneço algumas
informações básicas: o helicóptero, algum conhecido a bordo, mas,
principalmente, quem está comigo no camarote. Da vez passada, o diálogo
se repetiu:
- Está sozinha no quarto?
- Não.
- Está com outra moça?
- Não.
Geralmente, o papo acaba aqui, mas desta vez ela inquiriu: "e ele,
é bonito?". São poucas mulheres a bordo, e quase nunca é possível
reservar um camarote feminino. Pra quem vê de fora, deve ser difícil
entender que não tem sacanagem, existe muito respeito, tolerância e
cordialidade. Claro que não penduro as calcinhas no banheiro, e tive
que aprender a dormir de protetor auditivo, que o tipo de ronco
disponível varia bastante.
No mais, não tem espaço para azaração, no máximo, troca-se e-mails
ou telefones para contatos em terra, e mais nada. É muito bonito o tipo
de amizade que se desenvolve, rapidamente, em virtude do convívio
intenso imposto pela clausura. Mas, vez por outra, surgem estórias de
quem 'deu na sonda'. O risco é grande, principalmente de deixar de
embarcar ou mesmo perder o emprego. De minha parte, lamento não poder
contar nada mais picante, também fico só na vontade... Mas já dividi
camarote com uma moça que só aparecia pra tomar banho...
· Zezo · 11:14 ·
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Blog
Reforma Política - II
Infelizmente uma pesquisa na Câmara irá constatar a preocupação da
maioria dos Deputados Federais, exclusivamente, com seus redutos
eleitorais. É comum não se interessarem por questões que não digam
respeito aos seus municípios ou simplesmente à sua base eleitoral. São
os "Vereadores Federais" que não têm dimensão para questões nacionais.
A proposta de estabelecer o Voto Distrital no Brasil irá aprofundar
essa tendência do comezinho ao invés de elevar o Congresso à sua
verdadeira dimensão.
· Zezo · 10:48 ·
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Blog
Reforma Política - I
Quando a gente pensa que as coisas não podem piorar, pioram.
As lideranças políticas querem agora impor a Lista Fechada. Não há
interesse público nessa proposta. Mais uma vez alguns líderes estão
agindo em seu próprio benefício. Pretendem economizar gastos pessoais
de campanha.
A Lista Fechada funciona como se o eleitor pudesse escolher o canal
de TV , mas tivesse que assistir a toda a programação. Não importa se
preferir novelas, noticiários ou filmes. Fica obrigado a engolir toda a
programação da emissora. E não pode mudar o canal. Lembra o AME-O OU
DEIXE-O que foi usado durante a ditadura militar.
· Zezo · 4:45 ·
domingo, 17 de junho de 2007
Literatura e Poesia
O poema é pão. A poesia é concreto. CAFU é poeta. E é também um
jogo de palavras. Seu nome no Registro Civil é Ana Maria Macedo. Em
1996 CAFU publicou seu poema intitulado MEDRA. Carece de explicação?
Então vamos ao dicionário: Medrar significa Crescer, Ganhar corpo,
Prosperar, Aumentar, Manifestar-se com exuberância, Alcançar bom êxito,
Melhorar (alguma coisa). Pois CAFU fez tudo isso; consigo mesma e com
as palavras, objeto e ferramentas de seu trabalho.
(Sem Título)
poetas à mingua
fazendo misérias
riquezas da língua
(Sem Título)
poesia sem bagagem?
prima pobre
penúria na linguagem
DESINATISMO
Inaceitável
Inepto
Inimigo
Inopioso
Inútil
Esse tédio Iná
Retorna à menina
Inabitada
Inesquecida
Inapetente
Inane
Abandonada
Contudo
Convida a menina
Como para vida
Conviva
Com e entre
VIVA INÁ
· Zezo · 12:31 ·
terça-feira, 12 de junho de 2007
12/06/2007
Blog
(gillete-press do blog do magno martins)
Surge uma voz contra Ariano Suassuna
O jornalista pernambucano Geneton Moraes Neto, consagrado na mídia
nacional, abriu o blog Sopa de Tamanco e reuniu uma boa turma para dar
pitacos sobre tudo, especialmenter cultura. O texto abaixo, por
exemplo, é do jornalista Amin Stepple, que bate duro contra a chamada,
hoje, "unanimidade" de Ariano Suassuna, que volta a brilhar numa série
da Globo. Confira se Amin, de irrepreensível texto, não tem mesmo pra
valer cabelo na venta:
"O Brasil assiste hoje ao apogeu da breguice armorial: "A Pedra do
Reino", de Ariano Suassuna, dirigido por Luiz Fernando Carvalho, o
mimado Visconti de Jacarezinho.
Assumidamente reacionário, o que deve ser louvado pela coerência
intelectual, Ariano Suassuna hoje é quase uma unanimidade nacional. Até
os tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil, a quem Ariano passou
anos esculhambando como vendidos ao imperialismo americano, hoje sobem
no palco com ele para cantar marchinhas carnavalescas. O que é pior:
fingindo leve constrangimento. Ariano não mudou. Até contra o
Manguebeat fez uma acirrada pregação.
Foram os baianos que mudaram, jogaram a toalhinha branca e se
tornaram bananas de pijamas neoarmoriais. Além do mais, com a adesão
oportunista a Ariano, traíram o tropicalista cineasta Jomard Muniz de
Britto, única voz a defendê-los (junto com o crítico Celso Marconi, que
levou um murro de Ariano justamente por defender o tropicalismo, nos
anos 60), durante décadas, das diatribes e pedradas do novo Imperador
da Cultura brasileira, Ariano Suassuna.
Portanto, viva o cineasta Jomard Muniz de Britto.
# postado por Amin Stepple
Em tempo: o endereço eletrônico do site Sopa de Tamanco é o seguinte: www.sopadetamanco.blogspot.com
· Zezo · 21:07 ·
domingo, 10 de junho de 2007
Blog
O Apagão da CPI
Do jeito que andam as coisas o Congresso Nacional vai se
transformar definitivamente numa Delegacia de Polícia. Cada operação
policial rende uma nova CPI. Daqui a pouco qualquer registro de
ocorrência numa Delegacia vai se transformar em CPI, desde que tenha
cobertura da imprensa. Depois de investigar problemas de embarque de
passageiros de avião, descobrir cópias piratas de DVDs (CPI da
Pirataria) e os amores do Presidente do Senado, vem ahi a CPI do Didi,
do Pelé e do Vavá. A maioria vai dar em nada quando sair do foco da
mídia. Quem estudou essa questão em profundidade foi Helenise Autran
Dourado, do Depto de Direito da PUC-Rio. Ela reconhece em um trecho de
sua Monografia que " - A função fiscalizadora do Poder Legislativo tem atingido relativo sucesso quando exercida com autonomia e com o envolvimento da opinião pública"
· Zezo · 13:53 ·
domingo, 10 de junho de 2007
Memória Musical "Diógenes Barbosa - Didí"
Tá rebocado
Julho de 1981. Fomos à casa de Raul Seixas para assinar o contrato
da sua participação no Rock Cerrado, um mega-concerto que aconteceria
dias depois em Brasília. O endereço ficava na Rua Rubi, Osasco, em São
Paulo. Kika, a mulher dele, nos recebeu na porta e mal entramos, demos
de cara com o Maluco Beleza. Eu estava acompanhado da Martinha, o
"Queijinho de Minas" da Jovem Guarda. Foi um encontro emocionado. Fazia
anos que não se viam. Desde os tempos do Raulzito e Seus Panteras.
Então, o que era para ser uma reunião de negócios virou uma festa de
confraternização, com muita vodka e boa música. Naquela noite, ele me
falou da sua paixão por rockabilly; de Elvis Presley, Buddy Holly, Carl
Perkins, Jerry Lee Lewis; e das suas peregrinações pelos sebos de
discos de Nova York em busca dos LPs fora de catálogos.
No dia 23 de julho, Raul fez o show de encerramento do Rock
Cerrado. Atacou de "Let Me Sing", "Al Capone" e "Tutti Frutti".
Memorável, com direito a discurso político, em plena ditadura militar.
No embalo das Diretas Já, virou "candidato" à presidência da república,
com a aprovação de uma plátéia de 20 mil pessoas.
Ainda hoje me lembro da expressão que repetiu exaustivamente -
para demonstrar satisfação - na noite em que "tomamos todas": Tá
rebocado...No melhor estilo "baianês".
· Zezo · 11:19 ·
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Plim, plim!
O representante venezuelano na OEA pediu, hoje, no Panamá, em nome
da liberdade de imprensa, autorização para a entrada de câmeras da nova
TV estatal, que substituiu a RCTV, nas dependências da prisão de
Guantanamo. Pediu ainda autorização para entrevistar os presos e
identificar em que parte do mundo receberam ordem de prisão e de qual
tribunal ou juiz.
· Zezo · 20:59 ·
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Aviso aos Navegantes
Paula ataca novamente.Diretamente da bacia de Campos:
Não sei o quão isolada estou do resto da humanidade, porque o
petróleo causa isso mesmo, mas tem umas figuras por aqui... Vou deixar
a seção 'apelidos' pra depois, e me dedicar a personagens em
particular, que a gente fica sabendo dessas estórias ainda no curso de
formação, sem saber direito se tudo é verdade.
Quintanilha era químico e trabalhou em Urucu, furando poço no meio
da Amazônia, nos idos de quando a internet não passava de um delírio do
capitão Kirk. Pois bem, a comunicação era por rádio, câmbio, e o
boletim diário tinha que chegar de todo jeito, eventualmente à revelia
do humor de São Pedro. Diz a lenda que foi feito contato com a sonda no
meio da mata, câmbio, o engenheiro responsável estava muito ocupado e o
radio-operador passou a fonia pro nosso amigo químico. Situação das 16
hs: "chovendo como de costume, nenhuma picada de cobra esta semana, não
precisa mandar mais soro, mas estamos com três probleminhas... A coluna
está presa, o poço tá bebendo e acabou de entrar em kick!".
Lamento, mas não dá pra traduzir, em poucas palavras, de petrolês
para portugues, adianto apenas que é o próprio caos. É como se um pai
ou uma mãe ouvisse de uma vez só: "seu filho adolescente está se
drogando, engravidou a namorada e acabou de repetir de ano!" Putz!
Senta no meio fio e chora, que não sei se rezar adianta.
Ano passado conheci este cidadão, hoje cimentador, em P-16: língua
presa, baixo e gordinho, cabelos prateados despreocupadamente penteados
para o lado. Calçãozinho azul desmaiado e camisa hering branca, parecia
um ursinho de pelúcia. Lindo. Fofo. Passados dois dias (o suficiente
pra ficar amigo de infância a bordo), surgiu a oportunidade perfeita
para a pergunta fatal: Quinta, aquela estória dos três probleminhas...
É verdade? Apenas um sorriso de Monalisa acompanha o aceno positivo,
coisa de quem sabe que faz parte da história.
E até hoje é assim, quando as coisas começam a dar errado, não tem
essa de 'o poço subiu no telhado', basta começar a falar 'tamo com um
probleminha...'
· Zezo · 20:31 ·
domingo, 3 de junho de 2007
Literatura e Poesia
EDUARDO LUCENA está de volta com mais um trabalho. São
fragmentos de seu livro "Flores Artificiais" publicado nos anos 70. A
ilustração, que está no livro, é de Cavani Rosas, artista plástico
pernambucano. Não vou fazer comentários. Espero os comentários e as
críticas de vocês.

UMA LUA SEQUER...
Vazio.
Batem as portas. O vento, lá fora, como a alma dum cão que se
evadisse, suplica, implora, miserável, o horror estampado nos olhos.
Chove. Só que não há lua.
Desespero. Há medo em meu coração.
A negra parca que vem e se acerca como a tolher-me os movimentos, e a vida. E nada há que perdoe...Não há que perdoar!
Batem as portas.
Batem as janelas.
Pulsam negros corações. É como se tudo tivesse parado; e somente o pavor pairasse na Terra.
-Quem és tu, Homem?
Horrorosa insignificância inapelavelmente só e a urrar, Cão,
Vento, Pânico e jamais houve Lua, Astro, nada sequer que contemplasse -
inexpressivo, impassível - o teu grito de medo e dor sob uma Terra
cruel, infinitamente sombria e solitária, ínfima gota que, ao estourar,
espalhasse somente uma indizível solidão.
Tu te gastas no mundo à medida em que, sentindo, destróis teu
efêmero coração... enfim, é só artéria cordial, sangue que se esvai,
esplêndida correnteza, horror nos olhos de quem vê: LÁ, NOS OLHOS DE
QUEM VÊ.
A pouco e pouco te vais reduzindo, inseto; oh, insensato! -
inseto que sentisse o peso da morte como um fardo sobre as costas: um
fardo que urge sacudir às distâncias, para que de nada reste, exceto a
solidão e o desamparo duma ausência infinda, imóvel, astro do Remoto
Invisível, Opaco e que, de seu, nada - absolutamente nada! - houvesse.
Desgastas em coisa alguma teu Ser pequenino.
Qualquer táctil contato; cada reluzente estrela luzindo num olhar;
cada som que te corrói os tímpanos devagarinho - marulho que brotasse
do Infinito; toda a tua intransponível crosta, a tua carne - teu
absurdo perceber! - a insondável solidão, tudo, tudo, te está a fazer
sumir.
Diluis teus olhos como um pingo d`água esvaziado.
E somes aos poucos, de pavor entranhado. Mas à medida em que
urras, cão batido em qualquer beco, a Lua se vai distanciando, esvaindo
inteira, na profundeza do mar - do imenso Mar! - das duas contas
malditas que te pregaram à cara.
EDUARDO LUCENA
· Zezo · 20:03 ·

