o gramma saiu na frente

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Sou classe média, "papagaio de todo tele-jornal" e da midia em geral. E faço o gênero Eremildo, o idiota. Tenho grande dificuldade para contestar o que leio. Acredito mesmo naquilo que está nos jornais. Talvez seja uma herança do analfabetismo. Já observei que para muitos analfabetos e para os semi-alfabetizados a informação publicada, a palavra escrita, chega a ter valor legal, é quase sagrada. Sou um pouco assim. Confesso que demoro a refletir a respeito das informações que leio nos jornais e nas revistas. Mas procuro analisar, procuro saber como aquela informação foi parar alí, enfim, o por que, quem , quando, como...

Pois bem. Acostumei a ler na grande imprensa que Cuba é um país insignificante; que seu presidente, escolhido entre os membros de uma assembléia popular, era um ditador-eleito e que não tinha importância nem para o mundo, nem para os Estados Unidos da América e muito menos para o Brasil. Acho que fui enganado. A imprensa mentiu.

É com surpresa, portanto, e com uma sensação de que venho sendo enganado há longo tempo que leio, nesses mesmos jornais, e que ouço e vejo, nessas mesmas emissoras de rádio e de televisão, páginas inteiras e longas apresentações radiofônicas e televisivas a respeito da desistência do "insignificante" Presidente Fidel Castro de candidatar-se a um novo mandato. São capas de revistas, Manchetes de primeira página, chamadas, comentários. Essa desistência, depois de 49 anos de poder, só seria notícia se não fosse Cuba tão insignificante e Fidel Castro um dirigente sem importância no contexto internacional. O Emir do Bahrein está no poder, e o exerce com mão de ferro, há muito tempo. Mas não merece nem meia página de jornal quando vai à Europa fazer compras. E eu sofro com isso porque, para mim, o Emir merece muito mais atenção.

Devo concluir que fui enganado todos esses anos por essa imprensa séria? Vejam o que essa mesma imprensa noticiou esses dias:

O anúncio de Fidel Castro mereceu a convocação de uma sessão do congresso americano e a convocação do Secretário de Comércio do Governo Bush. Se esse congresso não se reúne só para discutir besteiras como a invasão do Iraque ou o apoio financeiro às ditaduras aliadas, então Cuba é importante para os Estados Unidos da América, diferentemente do que apregoava a séria grande imprensa brasileira;

A maioria dos jornais europeus deu grandes manchetes de 1ª página com a notícia da decisão tomada por Fidel Castro. Então o que a grande imprensa brasileira dizia da desimportância de Cuba não era verdade;

Todos os grandes jornais brasileiros, - eles mesmos - anunciaram em primeira página que Fidel Castro não concorrerá a novo mandato. A revista do aparthaid chegou a fazer uma capa com o título grosseiro e errado de que o Presidente de Cuba já iria tarde. Errada porque ele não se vai. Ela está em Cuba, onde os interesses econômicos daquela publicação apartaidiana não conseguiram chegar. Essa enxurrada de notícias, chamadas e capas evidencia que era mentira a falta de importância daquele país caribenho.

Fico sem entender a imprensa brasileira. O que teria feito Cuba merecer tanto espaço e alcançado tanta projeção e importância de uma hora para a outra? Foi alguém ou algum grande poder que determinou que ela -a grande imprensa- fizesse isso, abrisse todo esse espaço? Será porque copiam os jornais europeus? Deve haver alguma explicação para essa alteração no peso do conteúdo da informação. A conferir.

 

Ações do documento

o gramma saiu na frente

Enviado por Hermano Harvalho em 25/02/2008 00:22
Seu artigo soh corrobora coma a tese deque a mídia é madrasta malvada interessando-se apenas por assuntos que "vendam" seus sofríveis exemplares . Com os adventos da moderna tecnologia - como este - poucos são os ambientes saudáveis da troca de idéias independentes. Parabeéns pela análise.